Scripts para gerar base de dados sobre os ônibus do Recife

Durante as férias, tive a ideia de fazer um site que ajudasse as pessoas a escolher que ônibus pegar para ir de um ponto a outro da cidade.

Minha inspiração foi no extinto www.onibusrecife.com.br desenvolvido pela Inove Informática. Era um site muito útil, diria até essencial, mas por problemas técnicos (?) foi tirado do ar. Inicialmente, iria utilizar minha aplicação no meu próprio computador, para fins pessoais mesmo, e se desse certo, disponibilizaria no estilo SaaS. Seria muito mais simples que o onibusrecife, mas com o mínimo de funcionalidade que faltava no site da Grande Recife, que possuía todos os dados, mas não fornecia um serviço deste tipo.

O primeiro passo foi extrair os dados dos itinerários de cada linha, contidos na página da Grande Recife. Lá não há nenhuma API ou facilidade que permita conseguir estas informações, então o jeito foi baixar todas as páginas HTML e fazer uma série de filtros com expressões regulares, para extrair apenas o desejado.

Além dos scripts de download e extração de dados, também fiz os que transformam os dados em queries SQL. Assim, no final do processo, você tem seu BD pronto com os dados que precisa.

Já que tudo foi colocado em scripts Bash, é possível automatizar todo o processo. Não sei como está hoje a formatação das páginas do Grande Recife. Provavelmente não mudaram nada de dois meses para cá. De qualquer forma, faz dois meses que parei esse projeto e decidi disponibilizar todos os scripts. Espero que seja útil para alguém.


Eu sei que falta algum README para explicar melhor como usar os scripts, mas por enquanto não fiz. Seria interessante algum conhecimento em expressões regulares e programas de filtros de texto padrão de sistemas GNU/Linux, como o sedsortgrep join. Dessa forma, você será capaz de corrigir erros que possam surgir.

Ah, esses códigos não têm nenhum tipo de licença. Pode usar como bem entender.
Atualização em 08 de Dezembro de 2012:
Na verdade, quando não está definido explicitamente qual a licença de um código fonte ou software, o default é que ele é proprietário. Ou seja, eu teria os direitos exclusivos de autor relacionados a cópias e redistribuição. O ideal é que eu colocasse junto ao código uma declaração de alguma licença de software livre, como a LGPL da FSF, só que ainda acho a LGPL não tão livre assim. Mas esse assunto pode ficar para outro post.

Laogai: O sistema prisional escravista da China



As prisões da China possuem dois nomes. Um referente à prisão em si e outro referente à empresa que funciona nela. Hoje em dia existem cerca de mil, totalizando de 3 a 5 milhões de detentos (ou quase 7 milhões de acordo com outras fontes). Estas prisões produzem produtos para construção, indústria, alimentos, químicos, brinquedos, vestuário, e são conhecidas coletivamente como Laogai, uma abreviação de Láodòng Gǎizào (勞動改造/劳动改造) que significa "reforma através do trabalho", o slogan do sistema de justiça criminal chinês. Muitos desses produtos são exportados e chegam aqui no Brasil, na indústria e nas nossas casas, sem nos importarmos com a sua origem.

Na série "Slavery: A 21st Century Evil", produzida pela TV Al Jazeera, o episódio "Prison Slaves" fala sobre este sistema com ajuda do Harry Wu, que foi preso em 1960 por ser um contrarrevolucionário que criticava a União Soviética, então aliada da China. Harry Wu passou 19 anos preso, trabalhando forçadamente no Laogai e fundou a Laogai Research Foundation, dedicando sua vida para chamar atenção aos abusos do governo chinês contra os direitos humanos.



Além de dissidentes políticos, também são presos muitos dissidentes religiosos no Laogai. Cristãos na China só podem praticar sua religião em igrejas registradas pelo estado. No entanto, muitos se recusam e praticam em igrejas não licenciadas e acabam sendo mandados para o Laogai.



No documentário, é entrevistada Abighail, uma jovem residente em Los Angeles, E.U.A. e ex-detenta do Laojiao ("Reeducação através do trabalho"). O Laojiao é um sistema parecido com o Laogai, também com trabalho forçado, mas para pessoas que cometeram delitos mais leves.

Abighail foi detida, sem nunca ter ido a julgamento, acusada de "perturbar a ordem e a segurança da sociedade", pois disseram que ela "estava espalhando sua crença", e por isso foi sentenciada a três anos de prisão e trabalho forçado. Enquanto estava a caminho da prisão, o policial disse que ela estava indo lá para aprender que a crença em Jesus era errada.

Abighail trabalhou na Shenyang, um campo de trabalho para mulheres que produzia artigos têxteis e produtos elétricos. O seu nome comercial era Shenyang Wanzhong Sanwei Service Company e possuía mil presas.

Em janeiro de 2007, alguns meses após ter cumprido sua pena, Abighail fugiu para os Estados Unidos, deixando sua família para trás.

Ironicamente, Abighail trabalhava produzindo pequenas lâmpadas para decorações natalinas, um item típico das festas cristãs.

Ela disse que as tarefas dadas eram muito difíceis de serem completadas em um dia. Eles acordavam às 7 da manhã e tinha gente que não conseguia terminar até meia-noite. Os que não completavam eram punidos. Ela também reclamou das condições de trabalho, dizendo que era muito frio na fábrica e não haviam aquecedores.


Outro dissidente religioso foi Charles Lee, preso por praticar a Falun Gong, uma mistura de exercícios de meditação e filosofia moral. Em 1999, a China começou a perseguir os seguidores da Falun Gong e prendeu 100.000 deles.

Em 2003, Charles Lee saiu da sua casa nos Estados Unidos para apoiar seus colegas na China. Acabou sendo preso e passou 3 anos na Laogai.

Passaram 1 ano tentando fazer lavagem cerebral, tentando forçar ele desistir de praticar o Falun Gong. Então eles mudaram e estratégia para fazê-lo sentir-se um criminoso. Charles trabalhou na prisão de Nanjing, a 170km de Xangai. Assim como todas as instituições penais da China, esta prisão também era um negócio. Seu nome comercial era Xinsheng Knit Sweater Factory, possuía 2600 presos e produzia calçados.

Um dos produtos feitos por Charles Lee eram pantufas com o formato do personagem Homer Simpson. Assim que ele saiu da prisão, em 2006, ele retornou para sua casa nos Estados Unidos e encontrou numa loja local as mesmas pantufas que produzia forçadamente em Nanjing.


Na etiqueta da pantufa aparece o nome da empresa SGFootwear, localizada em New Jersey, E.U.A.. De acordo com o site da empresa, ela possui licença para produzir e vender produtos com as marcas da Warner, Disney, Marvel, Fox e outras.

Perguntada pela reportagem da Al Jazeera, a 20th Century Fox diz que as fábricas da SG Footwear são monitoradas para obedecerem as leis de trabalho da China. Além disso, dizem que nunca utilizou conscientemente trabalho involuntário na criação de nenhum de seus produtos. A SGFootwear não comentou o assunto.


Oficialmente, a China baniu as exportações de todos os produtos feitos em prisões, mas a reportagem da Al Jazeera investigou e descobriu que isto continua acontecendo, com suporte do governo.


Dez anos atrás, Hari Wu se voluntarizou a ajudar um interno do Laogai. Ele era um dos gerentes (não era um preso) da maior produtora de botas de borracha na China (uma das prisões do Laogai) e disse que estava disposto a revelar tudo o que acontecia na prisão.

Com garantias do US State Department, Huang Peng fez sua parte e falou tudo. No entanto, o seu visto  como refugiado político da China acabou sendo negado. Assim, a Russia (onde ele estava temporariamente) acabou mandando-o de volta para a China.

Hari Wu não teve mais notícias do seu amigo. Ele acredita que Huang está preso na mesma prisão que ele trabalhava e tentou expor.

A TV Al Jazeera, que produziu este documentário e costuma publicar conteúdo revelando os podres da China, foi expulsa pelo governo chinês em maio deste ano: as credenciais de imprensa dos correspondentes dessa TV não foram renovadas.

Abaixo segue o vídeo completo deste episódio da série:


Felizmente, este assunto já está sendo debatido e divulgado por organizações como a Slavery Footprint. Vale à pena visitar o site http://slaveryfootprint.org/

Referências:

Information and Nature Analogy

If you're the only one who knows it and don't spread it, it will die, like a rare bird that didn't find its partner to reproduce and becomes extinct. It could even be a really innovative and striking idea, a new species of a bird, but thanks to your failure in sharing it, the result of millions of years of evolution would be thrown away.

However, some kinds of information are like viruses, and shouldn't be spread. They reproduce easily but pollutes the air and time, bringing difficulties for the info that really matters to reproduce in everyone else's minds.

Gossip, per example, is clearly classified as a virus information.
We have news channels that work like an abundant virus source, and those should be fought against, or ignored.

But you have to pay attention. Most of the times, viruses are not so easy to spot. They sound and look like authentic good information, but are actually fake, or misleading.

Jesus, for example, came up with a lot of new ideas, spreading love and comprehension. Centuries later, the very same words were used by some people to spread intolerance and persecution.

At the time you write or speak something, you may be starting a chain reaction. If your audience absorbs what you said, it will probably share it with someone else and this can last forever, literally. So take care on what you receive and what you give.

Curso sobre Propriedade Intelectual


Iniciei um curso de 75h sobre Propriedade Intelectual, fruto de uma parceria entre o INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial e a OMPI - Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO, em inglês). É um curso oferecido à distância, em um site do WIPO (http://lms.wipo.int/index_pt.php), ensinado através de texto e áudio, dividido em 13 módulos. Também temos à nossa disposição um tutor, e um fórum para discutirmos os assuntos relacionados ao curso. Muito legal! O curso é gratuito, então se tiver interesse busque por DL 101P BR no Google e fique de olho nas próximas turmas. É bem provável que volte a ocorrer. Há informações nesta página aqui também, mas nunca se sabe até quando essas coisas ficam no ar:


   
Segundo o próprio site do curso, o objetivo é apresentar uma visão atualizada dos mecanismos de proteção das criações intelectuais, enfocando o arcabouço legal brasileiro e as atribuições do INPI.

E estes são os módulos oferecidos:

  1. GUIA DO CURSO
  2. INTRODUÇÃO À PROPRIEDADE INTELECTUAL
  3. DIREITOS AUTORAIS
  4. MARCAS
  5. INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS
  6. DESENHO INDUSTRIAL
  7. PATENTES
  8. TRATADOS INTERNACIONAIS
  9. CONCORRÊNCIA DESLEAL
  10. PROTEÇÃO DE NOVAS VARIEDADES DE PLANTAS
  11. INFORMAÇÃO TECNOLÓGICA
  12. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA
  13. DEBATE E RESUMO
  14. EXAME FINAL
Vou tentar postar um pouco sobre o assunto, durante o curso. Assim fixo melhor os conceitos e divulgo a informação, já que embora seja um assunto relevante, a maioria das pessoas conhecem pouco ou se sentem inseguras.


--Atualização em 8 de Novembro de 2012:

Consegui terminar o curso! Corri nesta semana para estudar quase todos os módulos, mas consegui ser aprovado. A exigência é uma pontuação acima de 50% no Exame Final, e consegui 80%. Mesmo tendo sido aprovado, não fiquei 100% contente, pois ainda não me considero entendido no assunto. Não por culpa do curso, que tinha muito conteúdo a oferecer, mas por eu não ter me dedicado como gostaria. De qualquer forma, tendo respondido todos os testes de cada módulo e o teste final, sempre consultando os textos, me fez ter uma visão menos leiga sobre os vários aspectos das proteções de Propriedade Intelectual. O que já é alguma coisa.
Estou com 100/100 em todos os módulos porque você tem a chance de refazer estes testes. O único que você tem apenas uma chance é o Exame Final, que também é o único que conta como instrumento de avaliação.