Dias de Inferno na Síria - por Klester Cavalcanti

Acabei de ler o relato de Klester Cavalcanti sobre sua experiência na Síria em maio de 2012. Jornalista recifense, ele viajou ao país em plena guerra civil para escrever sobre a situação de Homs, principal foco de resistência do Exército Livre da Síria.

Contexto da guerra

Em março de 2011, inspirados pela Primavera Árabe, o povo sírio se rebelou contra o governo de Bashar al-Assad, presidente da Síria desde 2000, sucessor do falecido pai Hafez al-Assad que governou a Síria desde 1971 quando assumiu o poder através de um golpe de Estado.

Hafez pertencia a um grupo étnico-religioso chamado Alauíta, minoria na Síria, e durante seu governo, favoreceu os cidadãos desta etnia. Os sunitas, a maioria do povo, descontentes com o governo de Hafez, já tentaram derrubá-lo no passado, culminando em um bombardeio das Forças Armadas da Síria sobre a cidade de Hama, matando 20 mil pessoas (grande maioria civis), passando a ser conhecido como o Massacre de Hama.

O descontentamento do povo sempre foi presente, mas quaisquer manifestações contra o governo al-Assad sempre foram duramente repreendidas através de força militar. No entanto, após a queda dos ditadores da Tunísia e Egito em 2011, os sírios decidiram ir às ruas com esperança de conseguirem o mesmo. Bashar repetiu as atitudes do seu falecido pai, e respondeu com mais mortes dos opositores. Órgãos como ONU e União Europeia rechaçaram as atitudes do ditador, mas a situação só fez piorar. No texto do livro, Klester explica o contexto da guerra e menciona que cerca de 3000 soldados desertaram do Exército Sírio e se juntaram aos civis, formando o Exército Livre da Síria, principal força opositora ao governo de Bashar.

Sofrimento de Klester

O livro passa com clareza a falta de escrúpulos do governo de Bashar al-Assad, desrespeitando qualquer protocolo diplomático e todo tipo de direito fundamental. O jornalista adentrou território sírio portando visto para trabalhar por 7 dias, concedido pelo Consulado Sírio em São Paulo, assim como um documento oficial descrevendo todos os equipamentos que estaria autorizado a portar como máquina fotográfica, filmadora, entre outros. Todo o cuidado de Klester para fazer seu trabalho legalmente não impediu o governo sírio de prendê-lo por 6 dias até seu visto vencer, sem nunca tê-lo explicado o motivo da prisão. Como se não bastasse, foi ameaçado de morte diversas vezes e torturado para assinar documentos em árabe, trazendo como souvenir da viagem uma queimadura de cigarro no rosto, aplicada por policial sírio.

Mesmo não tendo alcançado seu objetivo inicial, de acompanhar a rotina dos rebeldes do ELS (Exército Livre da Síria) em Homs, o livro consegue retratar a guerra muito bem, através das impressões de Klester na prisão em que ficou, assim como o que sofreu para entrar e sair dela.

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